Principal causa de hospitalizações e uma das doenças infecciosas que mais matam no Brasil, a pneumonia foi responsável por uma média de 650 mil internações anuais entre 2024 e 2026, com mais de 70 mil mortes hospitalares registradas a cada ano em decorrência da doença, segundo dados do Ministério da Saúde.
A pneumonia é uma infecção que se instala nos pulmões, acometendo principalmente os alvéolos pulmonares. Quando a infecção ocorre, os alvéolos inflamam e acumulam líquido, secreção ou pus, o que prejudica a oxigenação do organismo e dificulta a respiração.
A pneumonia pode — e deve — ser conduzida como emergência médica com risco de morte sempre que manifestar critérios de gravidade ou acometer extremos de idade, ou seja, crianças menores de 5 anos e idosos acima dos 65 anos. Pessoas com doenças crônicas (diabetes, problemas cardíacos, asma ou DPOC) e pacientes imunossuprimidos fazem parte do grupo de risco.
A pneumonia pode apresentar uma evolução rápida e potencialmente fatal. Um dos maiores riscos está no atraso do reconhecimento dos sinais de gravidade, especialmente quando os sintomas iniciais são interpretados como manifestações de uma infecção respiratória simples. Identificar precocemente a insuficiência respiratória e iniciar o tratamento adequado são medidas fundamentais para evitar complicações e salvar vidas.
A orientação é buscar atendimento médico de emergência (via pronto-socorro, UPA ou acionamento do SAMU 192) na presença dos seguintes sinais de alarme:
A apresentação clínica da pneumonia varia de forma significativa de acordo com a faixa etária, o que frequentemente atrasa o reconhecimento do quadro por familiares e cuidadores.
Nos pacientes com mais de 60 anos, a pneumonia frequentemente não se manifesta com febre alta ou tosse produtiva. Os sinais de alarme costumam ser atípicos: desorientação repentina ou confusão mental inexplicada; prostração intensa; recusa alimentar súbita e desidratação rápida; queda no estado geral sem causa aparente.
No público pediátrico, a reserva funcional pulmonar é menor. Por isso, atente-se aos sinais de respiração excessivamente acelerada; batimento ou abertura das asas do nariz a cada inspiração; afundamento da pele entre as costelas durante a respiração; irritabilidade inconsolável ou letargia acentuada.
O tempo decorrido entre o agravamento dos sintomas e a primeira intervenção hospitalar é o fator determinante para o prognóstico. Quando a infecção não é contida a tempo, as complicações evoluem com rapidez, podendo levar a quadros de hipoxemia grave, quando ocorre diminuição crítica dos níveis de oxigênio no sangue, podendo causar lesão miocárdica e cerebral; e derrame pleural e empiema, quando ocorre o acúmulo de líquido ou pus no espaço pleural ao redor dos pulmões.
A Medicina de Emergência desempenha papel fundamental no atendimento aos pacientes com pneumonia grave, por meio da identificação precoce dos sinais de gravidade, da aplicação de protocolos de atendimento estruturados, do suporte respiratório oportuno e do início imediato da antibioticoterapia intravenosa adequada. Essas medidas, quando instituídas de forma rápida e integrada, contribuem para reduzir complicações, melhorar os desfechos clínicos e diminuir o risco de mortalidade hospitalar.