A presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), dra. Camila Lunardi, participou do II Fórum da Mulher Médica promovido pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). O evento, realizado na sexta-feira (6), em Brasília (DF), discutiu o tema central “Uma Nova Realidade da Medicina: Já somos a maioria. E agora?”. Na oportunidade, a especialista da ABRAMEDE conduziu a palestra “As Diferentes Realidades do Trabalho Médico no Brasil: Desafios e Oportunidades”.
Conforme destacou dra. Camila Lunardi, atualmente, apesar das mulheres serem a maioria da força de trabalho médica no País, elas ainda ocupam poucos espaços de liderança, em função de diferentes desafios, como a dupla jornada de trabalho, vieses de gênero nas contratações e redes de mentoria desiguais. “Mesmo em um contexto de crescente presença feminina, barreiras estruturais persistem e desaceleram a ascensão das mulheres a posições de liderança na medicina”, disse.
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Na avaliação da 2ª vice-presidente do CFM e coordenadora da Comissão da Mulher Médica, dra. Rosylane Nascimento das Mercês Rocha, a superação dessas barreiras exige um esforço institucional e coletivo. “Criar ambientes profissionais mais justos, seguros e respeitosos é uma tarefa institucional e de todos”, declarou.
PRESENÇA NA MEDICINA - Atualmente, as médicas correspondem à maioria dos profissionais em atividade no Brasil. Segundo os relatos apresentados no evento, a presença feminina vem crescendo de forma ainda mais intensa entre as novas gerações, sobretudo entre os graduandos.
O Fórum buscou transformar essa maioria demográfica em protagonismo efetivo. A programação reuniu ciclos de debates que abordaram diferentes dimensões dessa mudança, incluindo os impactos na formação e na organização do trabalho. As discussões também abriram espaço para reflexões sobre os caminhos necessários para tornar o ambiente profissional mais sustentável e seguro para as médicas.
SOBRECARGA – O painel “Encontro de Gerações” abordou um desafio silencioso, vivido por muitas profissionais, que, no auge de suas carreiras, acumulam responsabilidades com os pacientes, filhos e pais idosos. Essa tripla jornada impõe uma forte carga mental e emocional, muitas vezes invisível no cotidiano da profissão.
Indicadores apresentados no evento apontaram altos índices de burnout, ansiedade e depressão entre as colegas de profissão, além de taxas de suicídio superiores à média nacional. Outro dado discutido foi a expectativa de vida dessas profissionais, estimada entre 70 e 74 anos, inferior à da população feminina brasileira em geral.
“Mais do que celebrar números e conquistas, devemos questionar o modelo de exercício profissional que estamos sustentando. A presença crescente de mulheres na medicina precisa vir acompanhada de transformações estruturais, jornadas mais equilibradas, ambientes seguros, redes de apoio e oportunidades reais de liderança. O legado que deixarmos não deve ser o da resistência silenciosa à sobrecarga, mas o da construção coletiva de uma prática mais sustentável”, afirmou a presidente da ABRAMEDE, dra. Camila Lunardi.
Ao final do encontro, a avaliação das participantes foi de que a mudança demográfica em curso representa não apenas números, mas também uma oportunidade de repensar estruturas da medicina brasileira. A expectativa é que esse novo cenário contribua para formar ambientes de trabalho mais inclusivos e capazes de valorizar plenamente a contribuição das médicas na saúde do País.