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Pesquisa Clínica na Medicina de Emergência ganha espaço no debate científico
30/10/2025

A “Pesquisa Clínica na Medicina de Emergência” esteve em destaque durante a manhã de quinta-feira (30), durante o V Congresso Sul-brasileiro de Medicina de Emergência (SBMEDE), realizado em Florianópolis (SC). A mesa-redonda reuniu o diretor da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), dr. Ian Ward Maia, e o professor de Medicina de Emergência da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), dr. Lucas Silva (RS), sob moderação da médica residente em Medicina de Emergência do Hospital Regional de São José (HRSJ), dra. Aline Batista (SC).

Durante o encontro, foi discutida a necessidade de fortalecer a produção científica no país e de estimular os médicos emergencistas a se engajarem em pesquisas que gerem conhecimento aplicável à realidade brasileira. “Essa é uma etapa decisiva para o desenvolvimento da especialidade, pois a emergência é bastante particular. Precisamos compreender melhor os dados nacionais para aprimorar a assistência dos pacientes”, afirmou o dr. Ian.

Um exemplo de avanços citados é o “Estudo BARCO”, maior pesquisa multicêntrica sobre intubações em departamentos de emergência do Brasil. O levantamento acompanhou 2.846 pacientes e revelou que um em cada três sofreu eventos adversos graves — como instabilidade hemodinâmica, hipoxemia grave ou até parada cardíaca.

“Esses eventos estão associados à mortalidade mais alta em até 28 dias. O BARCO destaca pontos críticos que podem melhorar desfechos, como estabilizar o paciente antes do procedimento de intubação e treinar equipes para tomadas de decisão mais seguras”, explicou o dr. Ian.

De acordo com o dr. Lucas Silva, o investimento em pesquisas permitirá consolidar a especialidade, para basear as condutas em evidências próprias e não apenas em práticas externas, provenientes de outras especialidades. “Precisamos produzir conhecimento com método e ciência. Nesse sentido, os emergencistas devem começar a explorar os espaços acadêmicos, inclusive como oportunidade de carreira”, afirmou.

O painel reforçou ainda que a pesquisa precisa fazer parte da rotina dos serviços de emergência. “Para isso, é necessário criar um ambiente que valorize projetos, incentive publicações e conte com o apoio das instituições de ensino e gestão. Só assim a produção científica deixará de ser algo pontual e passará a integrar o trabalho cotidiano dos profissionais da área”, finalizou o dr. Lucas.