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Perspectivas para o futuro da medicina de emergência são discutidas em colóquio de abertura do V SBMEDE
29/10/2025

As atividades científicas do V Congresso Sul-Brasileiro de Medicina de Emergência (SBMEDE) foram iniciadas com o colóquio “Medicina de Emergência: de onde viemos, onde estamos, para onde vamos?”. O debate acontece justamente quando a especialidade comemora dez anos de reconhecimento oficial no Brasil, concedido pela Associação Médica Brasileira (AMB) e pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), após o trabalho organizado de inúmeros emergencistas ao longo do tempo.

Diante desse contexto, o presidente da American College of Emergency (ACEP), dr. Louis Anthony Cirillo, destacou que nos Estados Unidos a especialidade é validada pelos órgãos governamentais há várias décadas, mais precisamente desde 1968. De acordo com o especialista, a chancela ampliou a qualidade do atendimento aos pacientes, no entanto, os desafios em prol do fortalecimento da Medicina de Emergência continuam.

“Assim como ocorre no Brasil, temos conscientizado diferentes camadas do poder público sobre o impacto do trabalho dos emergencistas. Nossa atuação é diferenciada, pois transforma os desfechos dos pacientes em situações críticas. Mas, para além do Estado, a nossa luta também deve acontecer dentro de cada departamento. Porque se a nossa missão é prezar pela saúde das pessoas no seu momento mais difícil, parte dessa condição é defender a relevância da nossa especialidade frente a nossos colegas, disseminando informações sobre as características e qualidades da nossa ciência médica. É ao msemo tempo um propósito e uma grande responsabilidade”, disse. 

A presidente da Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), dra. Camila Lunardi, ressaltou as atividades promovidas pela entidade. Desde 2024, a ABRAMEDE passou a integrar o Conselho Deliberativo da AMB. A instituição foi eleita para o grupo pelas demais sociedades de especialidades médicas, fato que demonstra a valorização crescente da Medicina de Emergência no cenário nacional. 

“Também temos auxiliado o CFM na reescrita de resoluções publicadas anteriormente ao reconhecimento da especialidade. Precisamos nos apropriar da nossa própria força. Casos de emergências acontecem em todos os lugares, em comunidades grandes ou pequenas, no interior ou no litoral, em locais afastados ou nas capitais. A Medicina de Emergência é indispensável aos serviços de saúde. Podermos participar da tomada de decisão faz toda a diferença”, pontuou.

Para o presidente da Federación Latinoamericana de Medicina de Emergencias (FLAME), dr. Hélio Penna, investir na proximidade junto aos agentes políticos é uma estratégia eficaz. “Muita gente me diz que não gosta de política, mas não se produz políticas públicas em saúde sem essa participação. Nesse sentido, conclamamos todos os emergencistas a se mobilizarem, em seus estados e cidades, conversando com colegas e gestores. Esse engajamento modifica práticas, mesmo em pequena escala, que ao longo do tempo reverberam”, afirmou.

V SBMEDE - O evento deste ano conta com cerca de 900 congressistas e dezenas de palestrantes do Brasil e do exterior. Além do colóquio de abertura, ao longo dos quatro dias, estarão em pauta diversas apresentações de casos clínicos, conferências e palestras. O encontro é um marco rumo à valorização da especialidade, que a cada ano vem ampliando sua participação e reconhecimento.