O Carnaval é uma das festas mais aguardadas pelos brasileiros, mas a imprudência e os excessos, típicos nessa época de folia, trazem uma série de riscos à saúde. De acordo com a Associação Brasileira de Medicina de Emergência (ABRAMEDE), todos os anos o cenário se repete: emergências e prontos-socorros registram um aumento na procura por atendimento durante o feriado prolongado, especialmente nas grandes cidades e nos destinos turísticos.
“O Carnaval reúne uma sequência de fatores que exigem atenção. Temos a concentração de multidões em blocos e festas combinada ao consumo excessivo de álcool, justamente numa época em que o calor costuma ser intenso. Além disso, as pessoas passam longos períodos fora de casa sem alimentação e hidratação adequadas”, frisou a presidente da ABRAMEDE, Camila Lunardi.
Alguns dos motivos mais frequentes que levam foliões às unidades de saúde neste período poderiam ser evitados com medidas simples de prevenção, uma vez que estão diretamente relacionados a comportamentos de risco. O abuso no consumo de álcool, por exemplo, pode provocar intoxicações e desencadear quedas e acidentes, além de aumentar a exposição a situações de violência.
“A desidratação e a exaustão física também aparecem com frequência, especialmente em dias de calor intenso, longas horas de festa e pouca ingestão de água. Também são comuns os atendimentos por infecções gastrointestinais, geralmente devido à ingestão de alimentos mal-conservados ou de procedência duvidosa”, destaca a presidente da ABRAMEDE.
Conforme detalha Camila Lunardi, outro fator recorrente é o agravamento de doenças crônicas pré-existentes, como hipertensão, diabetes e problemas cardíacos, em função da interrupção do uso regular de medicamentos ou ao excesso de esforço físico. “Podemos incluir ainda o registro de episódios de violência, como as agressões, que tendem a se intensificar nesses ambientes com grande aglomeração e uso abusivo de bebidas alcoólicas”.
TRÂNSITO SEGURO - O deslocamento da população para cidades de veraneio e destinos turísticos também provoca um aumento no fluxo de veículos nas rodovias e vias urbanas. Estradas congestionadas, trajetos mais longos e deslocamentos feitos sob cansaço ou pressa tornam o trânsito mais perigoso. Nesse sentido, usar cinto de segurança e capacete (no caso específico das motos), bem como respeitar os limites de velocidade e, sobretudo, não dirigir após consumir álcool são medidas básicas para reduzir o risco de acidentes.
De acordo com a presidente da ABRAMEDE, o aumento da demanda durante o Carnaval faz com que as equipes de emergência atuem no limite da capacidade e esse cenário de sobrecarga impacta diretamente a qualidade e a agilidade do atendimento. “Muitos pacientes acabam aguardando muito tempo por assistência médica, em razão de ocorrências que poderiam ser evitadas. É importante conscientizar a população para reduzir riscos e preservar os serviços para quem realmente precisa”, conclui a médica emergencista.
Confira abaixo as dez recomendações da ABRAMEDE para um Carnaval mais seguro: